Editorial

Boas vindas ao semestre

No início de mais um semestre letivo, a ADPPUCRS a todos saúda, desejando que tenham muitos êxitos nessa nobre, complexa e pouco compreendida missão de educador.
         Já houve um tempo em que a frase “o professor disse” valia mais do que o ISO 90... Com a chegada dos novos meios eletrônicos, alguém profetizou a obsolescência da nossa profissão. Não só isso não se realizou, e hoje para nós é óbvio o motivo por que não, como os problemas da aprendizagem se diversificaram. Nas últimas décadas, fomos condicionados a ensinar usando as tecnologias apoiadas nos meios eletrônicos, durante no mínimo 200 dias letivos do ano. Porém, “muito mais do que isso”, devemos encontrar conteúdos mais atuais, mais interessantes para os alunos “clientes”, devemos trabalhar sorrindo, à moda dos artistas, etc... Este é o discurso da vez.  Em tese, nada contra, porém nos perguntamos sobre os limites humanos desta missão; sim, missão mais do que profissão. A verdade é que a educação e as aprendizagens decorrem de um ambiente de muitas variáveis e, por isso, o discurso da qualidade não pode cobrar da dimensão docente mais do que ela representa.
Esses e outros assuntos de interesse da academia queremos que sejam discutidos no nosso espaço próprio. Contamos, a partir de agora, com a ampliação da nossa sede, equipada com cadeiras novas, um notebook e um projetor eletrônico.
         Como Associação, temos duas grandes tarefas para este semestre: acompanhar as obras de construção do Centro de Convivências da PUCRS, no atual prédio 22, conforme já divulgado, e desencadear uma discussão ampla sobre melhorias do nosso Plano de Carreira Docente.
         Saudações fraternais.

                                                                                           A Diretoria

 

Capacitação Docente reúne professores

Mais de 500 professores da PUCRS participaram, de 14 a 16 de julho, do Seminário de Capacitação Docente que a Universidade realiza a cada semestre. Ação conjunta das Pró-Reitorias de Pesquisa e Pós-Graduação e de Graduação, a atividade teve início com a palestra "Um aporte das neurociências às relações professor-aluno", ministrada pelo neurologista e professor da Faculdade de Medicina, Andre Palmini. O evento teve como objetivo fortalecer a linha de gestão de qualidade na PUCRS, bem como aprofundar a compreensão do professor acerca do aluno, de suas singularidades e de seu processo de aprendizagem. Houve atividades teórico-práticas, tendo como eixo a mobilização do aluno para o aprender, reforçando o compromisso da Instituição com a formação humana e profissional. O diferencial desta edição foi a realização de minicursos e oficinas, nos quais cada docente poderia se inscrever de acordo com o seu interesse.  O evento foi realizado no prédio 40 do Campus Central.

Tempo de relaxar

Artigo

O Jornalismo e a Liberdade
de Expressão

Não basta ser curioso e boca grande para trabalhar na imprensa. Quando entrei para o curso de Jornalismo da Famecos, em 1968, não era obrigatório ter diploma para exercer a profissão. Eu gostava de ler, escrever e queria trabalhar em jornal. Fui em busca de um curso universitário que desse formação e condições para me apresentar em busca de um emprego. No segundo ano da faculdade, já era repórter da Zero Hora. Podia ter me inscrito como “prático licenciado”, mas continuei estudando. Em 1971, concluí a graduação e me registrei no Ministério do Trabalho como “jornalista diplomado”, com muito orgulho.
Passados 40 anos, voltamos à estaca zero. O justicialismo do Supremo, arbitrário, revanchista ou subserviente, acabou não só com a obrigatoriedade do diploma, mas com a própria profissão.
O argumento mais calhorda é de que a Lei de Imprensa e a regulamentação do jornalismo eram os últimos “entulhos” do tempo da ditadura. Cometeríamos a mesma injustiça se fizéssemos igual raciocínio em relação aos veículos de comunicação. Aqueles criados ou que se expandiram após 1964 teriam sido coniventes ou parceiros dos militares, assim como todas as falências ocorreram por perseguições, como o foi, sem dúvida, a do Correio da Manhã, do Rio. A movimentação e acomodação do mercado têm muito a ver com inovações na administração, estratégias, oportunidades e preenchimento de espaços vazios.
O regime militar tinha um projeto de poder a longo prazo, que se estendeu por 20 anos. Sempre que cresciam tensões, reagiam com cassetete e pau-de-arara, ou faziam concessões. A Lei de Imprensa foi uma delas. Entretanto, se tinham de enquadrar um jornalista, não a utilizavam, por ser muito benigna. Valiam-se da Lei de Segurança Nacional. Aconteceu comigo.
Nos anos 70, fiz uma reportagem na Folha da Tarde denunciando que um barbeiro estava preso há 18 anos por ter dado um tapa na mulher. Ele foi imediatamente solto e quiseram me botar na cadeia no lugar dele. Não podiam me acusar na Lei de Imprensa, porque relatei um erro judiciário inquestionável. O Ministério Público, guardião dos direitos civis, me denunciou, então, na LSN. Respondi por ter “indisposto o povo contra um poder da União”. Bem assim. O ex-ministro do Supremo, Paulo Brossard, cita o caso em seu livro O Balé Proibido como uma das maiores aberrações jurídicas cometidas pelo autoritarismo. Sentei junto ao fotógrafo Damião Ribas, já falecido, diante de um tribunal militar, todos de verde, e fomos absolvidos por unanimidade. (Nunca entrei com pedido de indenização, como tantos ícones).
Nos anos de chumbo, o ministro Mário Andreazza viajava de avião com repórteres e copa franca. Durante os conflitos com estudantes, iniciados em 1968, a ditadura assinou a regulamentação do jornalismo, em 69. Para nós, doses de uísque e piso salarial.
Impossível negar. Mas não confundir, de propósito, direito à informação, matéria-prima da imprensa, com liberdade de expressão. Essa se constitui em prerrogativa da sociedade. O mais interessante: a decisão de publicar ou não é dos donos dos veículos, não dos jornalistas. Quem sabe a gente começa a discutir a pauta da liberdade de expressão? Me serve.



Tibério Vargas Ramos

Jornalista desde 1969, professor da Famecos desde 1977

 

ACORDO ORTOGRÁFICO

Nas edições anteriores do Informativo, foram apresentadas modificações resultantes do Acordo Ortográfico assinado em 2009, relacionadas ao emprego e queda do hífen, à eliminação do trema e a algumas regras de acentuação. Nesta edição, são abordadas possíveis implicações linguístico-pedagógicas, especialmente as de natureza semântico-pragmática, decorrentes de mudanças na acentuação de vocábulos.
Inicialmente, é preciso ressaltar que ortografia diz respeito apenas à representação escrita de palavras. Não se refere aos seus significados,  à sua pronúncia e nem à sintaxe de uma frase, um equívoco que tem sido divulgado com certa frequência. Não existe nenhuma alteração introduzida pelo Acordo Ortográfico que modifique o modo como uma determinada palavra é lida ou falada; as alterações restringem-se  à forma escrita. São mantidas, portanto,  as características da fala em cada país, e os falantes continuarão a falar do mesmo modo que antes. 

Sobre a Acentuação

No que diz respeito à queda dos acentos diferenciais, qual a implicação dessa mudança? Embora aparentemente constitua apenas uma simplificação linguística, há casos em que ocorrerá confusão de significado ou de pronúncia. Por exemplo, nas palavras “pera” e “polo”,  é desnecessário o acento diferencial, já que as formas que constituem os seus pares caíram em desuso. Entretanto, pode tornar-se problemática a queda do acento que diferenciava  "pára" (verbo) de "para" (preposição), bem como a grafia única de "pêlo" (substantivo), "pélo" (3ª. pessoa do verbo “pelar”) e “pelo” (preposição + artigo), conforme se pode observar nos exemplos que seguem:

1. Uma arma para o ladrão (manchete de jornal)
2. Trânsito pesado pára/para São Paulo?
3. Um provedor para todos os usuários de computador.(anúncio publicitário)
4. Porto Alegre para sempre (título de reportagem)
5. Observei pelos pelos tapetes.
6. Pelo pelo de cãezinhos.

A frase (1) poderá ser interpretada como "uma arma é oferecida ao ladrão” ou "uma arma detém o ladrão" e só a leitura da notícia possibilitará a compreensão adequada do leitor. No exemplo (2), o trânsito congestionado paralisa São Paulo ou São Paulo ganha uma frota de veículos pesados, dependendo da escolha de verbo ou preposição a ser feita por quem ler esse título; no entanto, se a palavra “para” fosse escrita apenas nos moldes da ortografia atual, o leitor provavelmente ficaria em dúvida sobre a elaboração correta do título ou o interpretaria como as duas opções iniciais. Os exemplos (3) e (4) também permitem duas interpretações, caso o “para” seja entendido como verbo ou como preposição, mas essa ambigüidade é mais prejudicial ao título do anúncio publicitário, pois a leitura de “para’ como verbo é totalmente desfavorável  ao produto à venda. E os exemplos (5)  “pelos (pêlos)  pelos (por + os)” e (6) “pelo (1ª. pessoa do verbo pelar, com “e” aberto) pelo” podem confundir o leitor na sua compreensão, devido à repetição de termos graficamente iguais, embora com sentido diferente.

Um comentário a ser destacado aqui é que o Acordo vigente, ao mesmo tempo em que elimina os acentos diferenciais das palavras acima, acrescenta, facultativamente, o uso do acento na palavra fôrma (utensílio de cozinha, molde) para diferenciá-la de forma(jeito, maneira, aparência externa, 3ª. pessoa do Presente do Indicativo do verbo formar). O critério usado para “reviver” uma grafia que havia sido eliminada na última reforma da Língua Portuguesa não foi explicado, o que leva à percepção de uma certa incoerência nas regras propostas. Isso nos remete ao dicionário de Aurélio Buarque de Holanda, que  sempre registrou fôrma, com acento, incluindo, no verbete, uma longa e satisfatória justificativa de natureza semântica para essa sua insubordinação contra a decisão da Reforma de 1971, como, por exemplo, o fato de que,  em textos de Metalurgia, de Prótese Dentária, de Artes Plásticas, de Culinária, os vocábulos forma e fôrma se confundiriam frequentemente sem o auxílio do acento.

A explicação da dupla grafia de “forma” evidencia o potencial prejuízo semântico de não se usar o acento diferencial nessa palavra. Entretanto, se considerarmos os exemplos em (1)-(6, uma justificativa similar poderia ser dada em prol de serem mantidos os acentos diferenciais naquelas palavras.
Outra observação pertinente sobre acentuação, que não contempla a alegada unificação e simplificação da ortografia, diz respeito ao fato de ter sido facultada, a fim de manter as diferenças fonéticas existentes, a duplicidade de formas gráficas (com acento circunflexo ou agudo) em palavras como econômico/económico, acadêmico/ académico, fêmur/fémur, bebê/bebé, que caracterizam, respectivamente, a pronúncia no Brasil e nos demais países de Língua Portuguesa. Como consequencia, as duas formas passam a ser aceitas e devem ambas constar dos dicionários nos oito países da CPLP. Assim, se um brasileiro, que até hoje era obrigado a usar o acento circunflexo em tais vocábulos, os grafar com o agudo, não estará cometendo erro gráfico. Além de uma nova incoerência, ficará bastante estranho um brasileiro grafar “bebé”, já que a sua pronúncia  geralmente é de acordo com a grafia “bebê”, e mesmo assim ser considerada correta a sua escrita.
Por fim, mais uma questão referente à acentuação trata da eliminação do acento agudo do u tônico precedido de g ou q e seguido de e ou i nas formas verbais rizotônicas (que têm o acento tônico na raiz), conforme ocorre em  averiguar, apaziguar, arguir: averigúe, apazigúe e argúem passam a ser grafadas averigue, apazigue, arguem. As palavras assim escritas causam estranhamento, e provavelmente haverá quem corrija a forma escrita “arguem” trocando o “r” por “l” e acrescentando acento agudo no “e”, especialmente se ela estiver no texto de um aprendiz.
Implicações relativas à queda do trema e ao emprego do hífen serão tratadas nas próximas edições do Informativo ADPPUCRS.


Título de um artigo de Pasquale Cipro Neto, publicado na Folha de São Paulo, em 23 de agosto de 2007.

Jane Rita da Silveira
Doutora em Linguística Aplicada
Professora da FALE e vice-presidente da ADPPUCR
S

RAPIDINHAS

Aula com pipoca

Caminho de Santiago de Compostela: o relato
de um sonho realizado

EXPEDIENTE

ADPPUCRS - Associação de Docentes e Pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.
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16ª Gestão (2008-2009)
Informativo ADPPUCRS: Órgão de divulgação da Associação de Docentes e Pesquisadores da PUCRS.
Ano 13 - Edição: setembro de 2009.
Textos, diagramação e fotos: Bruna Silveira.
Nesta edição: fotos do passeio pelo Parque Esportivo fornecidas pelo professor Jorge Pereira Ferreira da Silva.

Coordenadores e Responsáveis: Jane Rita Caetano da Silveira e José Fernando Fonseca da Silveira (CONRERP n°216 - 4ª Região).

Revisão: Jane Rita Caetano da Silveira e Josie Raya.

 

Ao me aposentar das funções de Professor, as quais exerci durante 35 anos (sendo que 31 deles nesta Universidade), decidi iniciar uma nova etapa em minha vida. Há um ano nasceu o meu neto, o Francisco, filho de minha filha Renata (Professora da FABIO) e de meu genro Daniel, ambos Biólogos. Juntamente com a minha esposa Lorena, decidi me dedicar integralmente na ajuda da formação deste colorado recém chegado. Mas decidi, também, realizar um sonho de mais de 17 anos. Em 1992 soube que existia um caminho famoso na Espanha, o Caminho de Santiago de Compostela, que poderia ser trilhado a pé, de bicicleta ou a cavalo. Assisti, no antigo Estúdio Del Mese, na Rua José do Patrocínio, a um relato feito pelo jornalista Sérgio Reis sobre sua peregrinação através do Caminho. Saí de lá convicto de que também o faria. Preparei-me, a partir de então, realizando pequenas caminhadas em Porto Alegre e nas praias de Cidreira e de Florianópolis. Associei-me a duas entidades que tratam do assunto (Associação dos Amigos do Caminho de Santiago de Compostela do Rio Grande do Sul – ACASARGS e Associação Catarinense dos Amigos de Santiago de Compostela – ACACSC). Iniciei fazendo caminhadas em grupo, destacando-se o Caminho das Missões (São Borja – Santo Ângelo, 325 km, 13 dias), o Vale Europeu (Indaial, Santa Catarina, 200 km, 8 dias), o Caminho da Ilha (Florianópolis, 200 km, 8 dias), entre outras.
Finalmente, no dia 5 de maio deste ano embarquei para a Espanha, chegando no dia seguinte a Pamplona, junto de mais quatro amigos de caminhadas, três gaúchos e um mineiro. De lá, via rodoviária, seguimos até Saint Jean Pied de Port, na França. No dia 7, exatamente às 7 horas, iniciei o tão sonhado Caminho, atravessando os Pirineus. O trajeto apresenta sempre novidades. Passei por cidades grandes (Pamplona, Burgos, Leon, Ponferrada) e por pequenos “pueblos”, com reduzido número de habitantes. Visitei igrejas e ermidas dos séculos X, XI, XII e, emocionado, pensava nas pessoas que viveram naquelas regiões em tais épocas. Dormi em “refúgios”, também chamados de albergues e de hospitais, grandes (500 lugares) e pequenos (30 lugares), sempre convivendo com pessoas de todas as regiões do mundo. Neste particular, o “portunhol”, o francês e o inglês que aprendi na juventude foram muito importantes para o meu relacionamento com os demais peregrinos. Revivi valores da minha infância e voltei a praticar, principalmente, o espírito de solidariedade, ajudando sempre que alguém necessitava. Durante os 30 dias de caminhada tivemos chuvas em somente dois: na saída de Pamplona (chuva fraca) e no dia da chegada em Santiago de Compostela (chuva torrencial).
Durante a minha preparação para o Caminho, li muitos livros e relatos de peregrinos que já o tinham feito. Neste sentido, estava, teoricamente, consciente do que poderia acontecer. As cidades de Pamplona, Burgos, Leon, Ponferrada e, obviamente, Santiago de Compostela se destacam durante o percurso. Nas grandes cidades, salvo em Santiago, o peregrino é visto como mais uma pessoa comum no meio da multidão, mas nos “pueblos” ele é recebido de braços abertos, com toda a cordialidade e todo o respeito que merece. Aliás, o Caminho é administrado pelo Ministério do Fomento da Espanha, o que dá segurança total ao caminhante. O atendimento médico aos peregrinos que dele necessitam é realizado pela Cruz Vermelha ou por postos de atendimento de emergência.
A hospedagem nos “refúgios”, públicos e privados, varia de custo zero a 10 euros, e a alimentação para os caminhantes (menu do peregrino, incluindo uma entrada, um prato principal, sobremesa, água e vinho) é de baixo custo para os padrões europeus, variando de 7 a 10 euros. Em média, se gastam 25 euros por dia. A fim de reduzir este custo, os “refúgios” possuem estrutura de cozinha completa, onde é possível fazer café da manhã, almoço e janta. O Caminho é realizado através de estradas de terra ou de asfalto, trilhas, campos, florestas e montanhas, e é muito bem sinalizado com setas amarelas, colocadas em postes, paredes, em árvores ou em pedestais de cimento.
A solidariedade humana foi o valor que mais me chamou a atenção no Caminho, independente da origem dos peregrinos. E, inclusive, eu pude exercitá-la em sua plenitude. Dentre os episódios de que participei, destaco os seguintes: a) Uma das caminhantes do nosso grupo brasileiro, no 10° dia, apresentou tendinite, problema de saúde mais temido pelos peregrinos. Ela amanheceu com o pé direito muito inchado, não tinha mais condições de continuar o Caminho. Solicitou-me ajuda para voltar ao Brasil, no que prontamente ajudei. Neste momento me separei do grupo, levei-a ao posto de atendimento médico e a decisão já estava tomada. Acompanhei-a até Burgos de ônibus, num trajeto de 8 quilômetros, e ajudei-a a embarcar para o Brasil. Neste trajeto, dentro do ônibus, assisti a um novo fato de solidariedade. Numa parada, entrou no ônibus um casal de cegos, guiado por um cão da raça labrador. O casal sentou-se e o cachorro deitou-se sobre seus colos. Passados alguns momentos, o cão começou a latir constantemente. Estava alertando-os de que chegavam à parada em que deveriam descer, onde um outro casal os esperava. Vi, na prática, que até os animais são solidários com os humanos, quando muitas vezes a recíproca não acontece. b) Estava caminhando solitariamente em uma trilha no meio de uma floresta, quando alguém bateu em minhas costas. Era uma moça, de origem coreana, aparentando ter em torno de 25 anos, com lágrimas nos olhos. Demonstrava estar perdida e desorientada. No primeiro contato perguntei se falava espanhol, francês, inglês, italiano ou alemão. A resposta foi negativa para os cinco idiomas (ela respondia com aceno da cabeça) e entendi que só se comunicava em coreano. Comecei a me comunicar por gestos, mostrando que ela deveria seguir sempre as setas amarelas (indiquei uma em um poste). Pareceu-me que ela estava aliviada com a minha “interpretação artística”. Segui no meu ritmo (às vezes olhando para trás para ver se ela tinha compreendido a minha orientação), até que a perdi de vista. Para surpresa minha, a reencontrei em dois momentos posteriores e ela se curvou diante de mim, com as mãos postas, agradecendo a ajuda. c) No meio de outra trilha, cruzei com um peregrino que tinha uma perna mecânica. Estava suando muito, sentado em uma pedra à beira do caminho. Perguntei, em “portunhol”, se estava tudo bem e a resposta foi positiva. Eu levava na mochila laranjas (laranja valenciana, a melhor que já experimentei!); ofereci-lhe uma bem grande e vermelha e a descasquei. A resposta que ele me deu foi através de lágrimas que saíram de seus olhos. Levantei-me, emocionado também, e continuei o meu Caminho.
Com base neste relato, as principais lições que aprendi, realizando o Caminho, foram as seguintes:

a) Vivi durante 33 dias (viagem Brasil-Espanha-Brasil e a realização do Caminho) com uma mochila que pesava 6 kg, na qual levava duas mudas de roupas, além da que estava usando, um par de chinelos (tipo crock) e materiais de uso pessoal;
b) Aprendi a cozinhar, atividade que, antes desta caminhada, não havia tido nenhuma necessidade e/ou vontade de aprender;
c) Aprendi a lavar e a secar as minhas roupas, já que Dona Olívia (secretária da minha casa) não estava presente;
d) Aprendi a não ouvir rádio e não assistir à televisão e, nem por isso, deixei de estar atualizado durante o período da caminhada;
e) Reaprendi que realizar as coisas na vida de maneira simples é bem mais eficaz do que de qualquer outra forma mais complexa;
f) Vivi e atestei novamente o ditado popular que diz: “Debaixo do chuveiro, todos nós somos iguais”;
g) Pratiquei e experimentei a frase de meu falecido pai, Derocy, que consta em seu epitáfio: “A solidariedade humana é o grande bem da vida”.

Eu havia previsto 33 dias para a realização do Caminho, desde Saint Jean Pied de Port até Santiago de Compostela. Através da internet (disponível em todos os refúgios do Caminho), eu vi uma foto de minha esposa e meu neto, o que me emocionou muito e me fez ir às lágrimas da saudade. Até aquele momento, eu fazia, em média, 25 km por dia, em condições normais. Surgiu, então, uma força superior (não sei de onde) e os últimos 120 km completei em três dias, 40 km por dia! Reduzi o tempo previsto para 30 dias de caminhada. Cheguei sábado, dia 6 de junho, sem quaisquer problemas de saúde (bolhas, calos ou tendinite), em Santiago, abaixo de uma chuva fria e torrencial. Fui ao escritório do peregrino para mostrar a “Credencial do Peregrino” (documento que é fornecido e carimbado em todos os refúgios) e receber a “Compostelana”, documento comprobatório de que o peregrino fez, no mínimo, 100 km a pé no Caminho. Após recebê-la, me dirigi à Catedral onde, ao meio-dia, é rezada a Missa do Peregrino, consagração final para quem fez o Caminho. A Catedral estava lotada de peregrinos, todos encharcados da chuva intensa que caía sobre a cidade. Tão logo terminou a referida missa, com chuva ainda mais forte, resolvi ir até o aeroporto da cidade para sondar se existia vaga no avião para Porto Alegre. Lá chegando, todo molhado, o atendente me comunicou que havia somente uma vaga, oriunda de uma desistência de última hora. Pensei: “foi Santiago que abriu uma vaga para mim”. Depois de trocar de roupa, prontamente embarquei. Ainda na sala de embarque, liguei para minha esposa Lorena, que ficou surpresa e contente com o meu rendimento e com a decisão de antecipar o retorno. Solicitei a ela que na chegada a Porto Alegre fôssemos diretamente para uma churrascaria, o que realmente aconteceu, no dia 7 de junho, domingo.
Concluo este relato dizendo o seguinte: qualquer pessoa pode fazer o Caminho de Santiago de Compostela. Basta querer e se preparar fisicamente e, sobretudo, no campo emocional, pois cada um faz o seu caminho. Aliás, o Caminho nada mais é do que uma síntese da nossa vida: existem momentos de alegria, de tristeza, de meditação, de tomadas de decisões e de saudade, principalmente daquelas pessoas com as quais se convive no dia a dia. Eu sou um homem feliz por ter completado 62 anos no dia 24 de julho, um dia antes do aniversário de Santiago. Que ele me ilumine e me proteja pelo resto de minha vida. 

Brasílio Ricardo Cirillo da Silva
Professor aposentado da FAMAT e Tesoureiro Geral da ADPPUCRS

 

 

 

Rede Marista de Porto Alegre

O irmão Inácio Nestor Etges foi escolhido para presidir a Rede Marista no Rio Grande do Sul. A entidade é responsável por 21 colégios, 28 centros sociais, uma universidade e um hospital. A posse será em dezembro. A vigência do cargo abrangerá o triênio 2010 – 2012.

Participe do Informativo da ADPPUCRS!

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"AULA COM PIPOCA" VAI MIXAR ESTATÍSTICA E HISTÓRIA

Segunda edição do evento interdisciplinar "AULA COM PIPOCA"- debate entre professores, estudantes e comunidade acadêmica em geral a partir da exibição de trechos de filmes.

Data: 29 de setembro
Horário: 19h30min
Local: auditório do Prédio 5 (térreo) da PUCRS

Obra a ser analisada: Documentário "Sob a névoa da guerra", de Errol Morris -.uma cinebiografia de Robert McNamara, secretário de defesa dos Estados Unidos no governo John Kennedy, chamado por alguns de seus detratores, na década de 60, de "máquina IBM ambulante", por sua capacidade de analisar estatisticamente eventos históricos e tomar decisões com base matemática.

Debatedores:

Brasílio Ricardo C. da Silvan, professor de estatística
Cláudia Musa Fay , professora de história

AULA COM PIPOCA é realizado pelo Núcleo Empreendedor PUCRS e pelo LINCOG, grupo de pesquisa inter-disciplinar que estuda o uso de obras cinematográficas no processo educacional.
Apoio: Instituto Idéia (PUCRS), Faculdade de Ciências Econömicas e Locadora Espaço Vídeo.

Confira o resto da programação do semestre:

10 de novembro: Filme A Experiência

1º de dezembro: Fime Gattaca


Local: Auditório do térreo do prédio 5
Horário: 19h30min.


Para quem gosta de curtir o friozinho do Rio Grande do Sul e fugir da correria do dia-a-dia, a Serra Gaúcha é uma das opções para os feriados do segundo semestre do ano.
Com colonização européia, belas paisagens e diversas atrações, a Serra aguarda o turista de braços abertos. Na região, os visitantes podem desfrutar de belos parques, praças, passeios inesquecíveis ou ainda praticar esportes radicais nos rios das redondezas. Além das belezas naturais, a cultura também se faz presente nos museus e nas igrejas da região, contemplando o visitante com informações riquíssimas.

Veja algumas dicas:

Bento Gonçalves tem muita história para contar. A cidade, colonizada por imigrantes italianos que desbravaram a região com fé e muito trabalho, hoje tem cerca de 100 mil habitantes, sendo a sexta maior do país em desenvolvimento humano e qualidade de vida e a primeira do Estado, segundo a ONU. Da terra se colhem os frutos. O clima, o solo apropriado e os investimentos em tecnologia e em pesquisa consolidaram Bento Gonçalves como o maior pólo vitivinícola do Brasil e maior pólo moveleiro do Mercosul. Atraídos pela curiosidade de trilhar os caminhos que levam à magnífica paisagem de nossos vales, ao acervo arquitetônico, à degustação de vinhos nas cantinas, à saborosa gastronomia, ao turismo cultural, de aventura e de negócios, grande número de turistas chegam a Bento Gonçalves. Um passeio temperado pela gastronomia italiana.
Outra opção é Caxias do Sul, conhecida nacionalmente como a terra da Festa da Uva e como um dos maiores pólos industriais do país. A cidade orgulha-se por apresentar, entre as suas maiores riquezas, seus atrativos turísticos. São inúmeros pontos que, na cidade ou na zona rural, oferecem opções de roteiros, mostrando a beleza das paisagens e contando a história da cidade, seja através de prédios e monumentos históricos, seja na voz dos moradores, que mesclam dialetos italianos e sotaque gauchesco.
Em Garibaldi os visitantes se deparam com uma cidade bucólica e hospitaleira. Conhecida como a capital do champanha e do vinho espumante brasileiro, ela abriga várias empresas especialistas na produção desses vinhos, alguns deles cotados entre os melhores do país. Algumas de suas vinícolas, como a De Lantier e a Chandon, produzem ainda alguns dos melhores vinhos (não espumantes) do país.
Já a cidade de Canela possui uma natureza exuberante, além de oferecer aos turistas as melhores opções de hospedagem, gastronomia e diversão. Em plena Serra, um oásis de clima agradável e paisagens inesquecíveis. É uma cidade linda por natureza, cheia de vida e cores, com alguns dos mais belos pontos turísticos do Rio Grande do Sul.
E, como não poderia faltar no roteiro, Gramado. Uma cidade naturalmente bela, que contou com a força dos alemães e italianos, colonizadores da região, que ajudaram a torná-la ainda mais charmosa. Em Gramado encontram-se muitas razões para desejar voltar sempre. A cidade é palco de grandes eventos, com uma agenda repleta de atrativos que proporcionam ao turista momentos inesquecíveis.

 Alguns pontos mais visitados da Serra Gaúcha:

Parque do Caracol - Canela
A Cascata do Caracol tem origem em um arroio de mesmo nome. As águas se lançam de uma altura de 131 metros de rochas de formação basáltica, formando uma paisagem majestosa e impactante.  A cascata está situada no do Parque do Caracol, um complexo turístico localizado a 7 km do centro de Canela. Entre as atrações e atividades do parque, estão a escadaria de 927 degraus até a base da cascata, mirantes, trilhas ecológicas, cursos de interpretação da natureza, identificação de plantas e observação de fauna, além de áreas de lazer.

Castelinho Caracol - Canela
A 3 km do centro de Canela, na estrada que vai à Cascata do Caracol, localiza-se uma das primeiras residências construídas na cidade, conhecida também como Castelinho. Foi edificada entre 1913 e 1915, em madeira de pinheiro brasileiro, pela família Franzen. A culinária alemã se faz presente neste ponto turístico: ali pode ser degustado o melhor Apfelstrudel da Região das Hortênsias, cuja receita é passada de geração em geração.

Aldeia do Papai Noel - Gramado
A Aldeia do Papai Noel traz a magia do Natal às crianças e aos adultos em qualquer época do ano. Localizada dentro do Parque Knorr, no centro de Gramado, ela conta com atrações encantadoras, como a Casa do Papai Noel, a Fábrica de Brinquedos, o Chalé dos Ursos, a Praça da Neve, a Árvores dos Desejos e muito mais. 

Hollywood Dream Cars - Gramado
O Hollywood Dream Cars é um museu especializado em automóveis clássicos antigos. Lá se encontra uma excepcional coleção de originais da indústria automobilística americana das décadas de 20, 30, 40, 50 e 60, com destaque para os modelos dos anos dourados de Hollywood.

Mundo a Vapor - Canela
O Mundo a Vapor é um parque temático e cultural que procura reconstituir a época em que o combustível do desenvolvimento econômico e tecnológico era o vapor. Lá são reproduzidas grandes conquistas da humanidade, apresentadas de forma única, com máquinas reais, movidas a vapor, que não existem em qualquer outro lugar do mundo.

Lago Negro - Gramado
Um dos pontos turísticos mais procurados da cidade caracteriza-se por um ambiente bucólico. O Lago Negro é circundado por hortênsias, azaléias, álamos e ciprestes, compondo um dos mais belos cartões postais da região. Oferece trilhas para agradáveis caminhadas, além de uma infra-estrutura que proporciona conforto e bem-estar.

Passeio de Maria Fumaça
No trem a vapor faz-se um trajeto que percorre Bento Gonçalves, Garibaldi e Carlos Barbosa. A magia da viagem contagia a todos. A alegria das várias atrações (show gaúcho, show de tarantela, teatro, repentista e coral típico italiano) torna o passeio inesquecível. Na estação de Bento Gonçalves os turistas ouvem música italiana e degustam vinhos e queijos. Na estação de Garibaldi a festa é regada a espumante e suco de uva, além de interessantes shows com temática italiana e gaúcha. Na plataforma de Carlos Barbosa, outro show italiano faz a festa. O passeio ainda oportuniza a visitação à Vinícola Aurora, Fettina de Formaio, Tramontina e Igreja de São Pelegrino.
City Tour de Compras
Comprar na Região das Hortênsias é garantia de adquirir bons produtos, com qualidade reconhecida em todo o Brasil. Malhas, chocolates, couros, calçados, artesanato, produtos coloniais e outros tantos artigos fazem a alegria do turista que deseja adquirir mais do que uma simples lembrança. 

O Outro Lado da Serra

Este passeio é um privilégio para os interessados pela região, pois dá oportunidade de conhecer “o outro lado da serra”. A atração conta com atividades de aventura discreta e entrosamento com a natureza e a região. Entre elas:

Parque da Ferradura
O Parque da Ferradura é um lugar diferente, onde a natureza é preservada de forma a proporcionar momentos agradáveis aos seus visitantes. Oferece uma convivência harmônica com a fauna, a flora e elementos naturais, como sol, ar e água. O parque abriga um cânion de 420 metros de profundidade e 2 quilômetros de extensão, proporcionando uma visão espetacular do rio Caí (Santa Cruz) e formando, no local, o contorno perfeito e surpreendente de uma ferradura.

Vinícola Jolimont
Localizada no Morro Calçado, no município de Canela, a vinícola Jolimont destaca-se pela qualidade de seus vinhos. A visita a uma vinícola artesanal, ao lado dos parreirais, com explicações de um enólogo (profissional do vinho) e degustações, é uma verdadeira aula de prazer sobre esta bebida que, desde a Grécia Antiga, é saboreada pela  humanidade.

Alpen Park
Um empreendimento inédito no país, com equipamentos importados da Alemanha, o Alpen Park oferece muita diversão a pessoas de todas as idades: a descida de uma montanha de 630 metros, em trenós, com cintos de segurança e controle de freios.

 

Cascata do Caracol
Vale dos Vinhedos